JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE (JMJ-Rio 2013)

08/08/2013 17h36 - Atualizado em 08/08/2013 17h36 
Participar de uma jornada mundial da juventude é uma oportunidade única de conhecer novas culturas e jeitos diferentes de viver a fé e celebrar a universalidade da nossa Igreja. O tema da jornada: “Ide sede missionários” é um convide amoroso que Deus faz aos jovens peregrinos, para tal foi preciso que cada peregrino se deixasse surpreender; despojando-se de todos preconceitos e dispostos a fazer uma experiência rica de universalidade da fé cristã. O papa Francisco chegou dia 22 no Rio DE Janeiro saudando o povo pelas ruas, antes mesmo da abertura oficial da JMJ-Rio2013.

Missa de abertura Oficial da JMJ-Rio2013 – 23 de Julho de 2013
A missa de abertura da Jornada mundial foi presidida por Dom Orani arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro.  Referindo-se das palavras do Papa Francisco mencionou: “juventude janela pela qual o futuro entra no mundo”
Dom Orani celebrou na intenção de todos jovens do mundo, especialmente aos jovens perseguidos, marginalizados, dependentes, machucados pela vida, mas que buscam o sentido de sua vida. e por todos aqueles que apesar de provocações permanecem fieis à sua fé. Por todos aqueles que acreditam que um mundo melhor é possível e buscam um caminho de santidade.
 Iniciou a missa pedindo pela jovem peregrina francesa, falecida na Guiana Francesa durante a Semana Missionária. Rogou pelos jovens mortos em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, pelos jovens desempregados e sem família. Lembrou ainda dos mortos há 20 anos na Candelária, dos jovens sem pátria e os perseguidos pela fé.
Dom Orani encorajou os jovens a construírem um mundo novo, a testemunhar a solidariedade, a partilha e a acolhida do amor de Cristo Redentor. É tempo de despertar confiança e esperança que se transformem em atitudes para um amanhã de luz. “Temos muitas barreiras e injustiças para superar. Vamos construir pontes ao invés de muros e obstáculos”, disse.
Maria Santíssima também foi tema da fala de Dom Orani. Ela continua sendo a companheira e mãe de todos os jovens.

Cristo Redentor
“Esta JMJ acontece aos pés da imponente estátua do Cristo Redentor do Corcovado. É Ele o verdadeiro protagonista deste evento! O seu coração bate, movido por um amor infinito por cada um de vós, e os seus braços abertos estão prontos a acolher todos vós!”, disse o Cardeal.

Via sacra em Copacabana JMJ-Rio2013 – 26 de Julho de 2013
Ponto alto da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a encenação da via-sacra - trajeto que representa as etapas da Paixão de Cristo - levou quase um milhão de fiéis à praia de Copacabana no início da noite da sexta-feira 26 de Julho de 2013
O cortejo era formado por 300 atores e religiosos, que percorreram 900 metros na Avenida Atlântica - a principal via da praia de Copacabana. No trajeto, foram montados 14 palcos. Cada palco representava uma das estações do caminho seguido por Jesus Cristo, carregando a cruz, da condenação até o calvário.
A encenação teve início 18h30, logo após o papa Francisco chegar de papamóvel ao palco principal, de onde acompanhou todo o cortejo.
Ao final da via-sacra, o papa fez um breve discurso em que falou sobre o sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Ele lembrou a tragédia da cidade de Santa Maria, onde um incêndio em uma casa noturna deixou mais de 200 jovens mortos no Rio Grande do Sul em janeiro deste ano.
O papa disse "Ninguém pode tocar a Cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da Cruz de Jesus para sua própria vida". isso leva a entender que não é possível ser cristão sem a cruz.
A Vigília JMJ-rio2013 -26de Julho de 2013
O momento da vigília em Copacabana apesar do frio foi um momento emocionante e de união de todos peregrinos em adoração, unidos numa mesma fé com o papa Francisco.

Missa de envio JMJ-Rio2013 – 28 de Julho de 2013
Na homilia final de sua viagem, Papa Francisco reforçou o lema da JMJ Rio 2013 "Ide e fazei discípulos entre todas as nações". No seu pronunciamento, encorajou os jovens a se deixarem surpreender pelo chamado de Cristo.
O papa lembrou: “Durante estes dias, vocês puderam encontrar Jesus, sentindo a alegria da fé. Mas essa experiência não pode ficar trancafiada em vocês ou no pequeno grupo da paróquia. Seria como cortar oxigênio a uma chama que arde. Anunciar o evangelho é um mandato que o Senhor confia a toda Igreja e a vocês”.
O papa pediu que os jovens não tenham medo de levar o amor de Jesus a todos os espaços e subúrbios do mundo. Pediu que até as periferias, incluindo aqueles que parecem mais distantes e indiferentes, porque todos precisam sentir calor da misericórdia de Cristo. O nosso Deus é um Deus que acolhe a todos sem exclusão.
Jovens, não tenham medo! Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai à nossa frente e nos guia. Ide, sem medo, para construir um mundo novo – afirmou o Papa.
Depois de fortificar a fé dos jovens e emocionar o mundo com discursos de amor, solidariedade e esperança, o Papa Francisco encerrou a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
Recepcionado com uma grande coreografia Flash Mob, o Papa Francisco encerrou a celebração eucarística fazendo a oração do Angelus com os peregrinos. No final anunciou que a próxima jornada será realizada em Cracóvia, na Polônia. 
Com esse envio missionário "Ide e fazei discípulos entre todas as nações", cada jovem volta para sua terra testemunhando o amor de Cristo com a vida no trabalho, na família ou na escola, em todos lugares onde estiver, pois anunciar o Evangelho é um mandado que o Senhor confia a todos batizados.
Francisco Mario, smbn.

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

07/06/2013 20h17 - Atualizado em 07/06/2013 20h17
Padres e Seminaristas na capela do Seminário, Contagem-MG, Brasil
Hoje é a Festa do Sagrado Coração de Jesus. Passaram as grandes solenidades litúrgicas. Agora caminhamos na esperança, conduzidos pelo Espirito Santo, que o Senhor nos enviou da parte do Pai. Celebrar a solenidade do Sagrado Coração de Jesus é celebrar o AMOR feito carne, é entrar em comunhão com Aquele CORAÇÃO que tanto tem amado os homens, (a ti e a mim) cuja maior alegria e felicidade é: estar com os filhos dos homens. É sentir-se amado e abraçado por esse Coração que nos amou até ao fim que “se entregou e morreu por mim.”
Querendo responder ao Seu apelo, “ tu ao menos consola-me” nós aqui no Seminário da Boa Nova em Contagem, MG, renovamos nossa entrega e entronizamos a Imagem do Sagrado Coração de Jesus no nosso Seminário, que queremos seja cada vez mais d'Ele. A Ele nos confiamos e confiamos a cada uma e a cada um de vós, queridos e estimados parentes, companheiros e amigas e amigos.

P. Francisco Sequeira, smbn

FESTA DE NOSSA SENHORA DA BOA NOVA

31/05/2013 11h55 - Atualizado em 31/05/2013 11h55


Neste dia festivo queremos estar em comunhão fraterna com todos os nossos irmãos espalhados pelo mundo de Deus. Recordamos na nossa Eucaristia nossos irmãos do Japão, de Moçambique, de Angola, da Zâmbia, do Brasil e de Portugal ( Europa).
Estamos com todos e sentimo-nos felizes porque sois nossa família, nossos irmãos e todos comungamos do mesmo ideal, e em qualquer meridiano ou paralelo em que nos encontrarmos, estamos em comunhão e unidos no amor, enfrentamos e levamos a cabo o mesmo projeto, melitamos sob a mesma bandeira: a da BOA NOVA.
Sentimos com muito agrado e agradecemos, a solidariedade de nossos familiares e amigos.
Que a Senhora da Boa Nova, neste dia, em que Seu Filho levou a alegria e a salvação a Isabel e João Batista, nos abençoe e nos dê a paz, a união e a comunhão. 
De Contagem, Brasil com amizade,

P. Francisco  Sequeira, smbn.

FÉ E VIDA MÍSTICA

14/02/2013 15h55 - Atualizado em 14/02/2013 15h55


No contexto do jubileu do Concilio Vaticano II ( 50 anos), do ano da fé e do Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização, é importante nos determos sobre o tema da mística, tendo em vista o revigoramento da nossa fé e do nosso ardor missionário. A vida mística nasce da fé e é sustentada pela oração e pela escuta da Palavra de Deus. A mística vai ao encontro de um dinamismo psíquico e espiritual do ser humano, ou seja, daquela fome e sede mais profundo que ele tem de dar sentido ou plenitude à sua existência.  Por sua vez, a fé é uma resposta a tal dinamismo visto que ela consiste no acolhimento e adesão total à pessoa de Jesus Cristo, através da sua Palavra, dos sacramentos e do amor a Deus e ao próximo.
A fé[1], juntamente com a esperança e a caridade, é  uma das virtudes teológicas, pois se trata de uma atitude que nasce na profundidade do coração humano, mas que é dom sobrenatural e fruto da ação do Espírito de Deus. Esta virtude tem a função de colocar a pessoa em relação imediata com Deus e é o fundamento da vida espiritual e cristã. Através da fé o ser humano pode abandonar-se confiante nas mãos de Deus e aderir totalmente ao seu projeto salvífico, que em Jesus Cristo tem a sua plena manifestação.
O termo “fé” deriva do latim fides ( fidelidade), que traduz o substantivo grego pistis (acreditar), o qual tem a sua raiz em dois verbos usados na escritura hebraica, aman e batah. Por sua vez, o termo aman (ser firme, sólido, verdadeiro) exprime uma relação pessoal com Deus, em quem podemos apostar ou ariscar nossa vida. Já o termo  batah serve para indicar a força dinâmica do nosso confiar ativamente em Deus, esperando confiante os seus bens visto que Ele não se esquece de nós (cf. Salmos 55.23; 56,4; 32,10). Assim, ter fé é abandonar-se sem reservas nos braços deste Deus, cuja fidelidade por nós e mais segura do que a nossa própria existência.
A mística[2], um dos principais temas da espiritualidade católica e cristã, foi compreendida de modo diverso e até controverso, ao longo da história da Igreja. Com o concilio Vaticano II, este tratado teve um novo impulso e passou a ser abordado com aquela originalidade do cristianismo primitivo. Segundo K. Rahner, a mística, é a palavra mais apropriada para definir a espiritualidade cristã; ela é caracterizada pelo predomínio da ação e do amor de Deus sobre a vida do ser humano; é um saber íntimo, secreto, profundo e experiencial que nasce de uma relação íntima e imediata com Deus. O mesmo Rahner já afirmava, no século passado, que “a nota primeira e mais importante, que deve caracterizar a espiritualidade do futuro é a relação pessoal e imediata com Deus... o cristão do futuro ou será um místico, isto é, uma pessoa que experimentou algo, ou não será um cristão”[3].
O termo “místico” esta ligado à palavra “mistério”. Ambas palavras estão em conexão com o verbo “fechar (do grego myein) e exprime o sentido daquilo que está escondido ou no segredo. Assim, Já no antigo Israel (AT) havia a concepção de que Deus (JHWH) morava para além do firmamento do céu, no segredo ou no mistério, com seus conselheiros, a assembléia dos santos e os exércitos celestes, e os seus desígnios eram revelados na terra aos seus amigos: os patriarcas e profetas. No Novo testamento, vemos o próprio Jesus a falar dos mistérios de Deus (os seus desígnios salvíficos e o seu Reino), que são revelados aos seus discípulos e aos simples-humildes ( Mc 4,11; Mt 11,25-27). E Jesus mesmo é a revelação de tais mistérios (Col 1,26-27). Nas cartas paulinas é muito freqüente o uso do termo mysterion. Aos Coríntios, Paulo escreve que ele e seus companheiros devem ser como “ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1Cor 4,1). Elemento importante destes mistérios é a vontade de Deus de que todos sejam salvos e Paulo se sentia portador destes mistérios (Ef 3,1-4).
     Na era patrística, o termo mysterion  continuou sendo fundamental e normalmente referia-se à pessoa de Jesus Cristo. Nos escritos dos Padres da Igreja, tanto os do Oriente como os do Ocidente, o mistério de Cristo, presente na Sagrada Escritura, nos sacramentos e na vida do cristão, teve sempre relevância. Na era medieval e moderna o mistério de Jesus Cristo foi compreendido e acolhido de modo diverso pelos santos místicos e pelos cristãos em geral, o que contribuiu para a diversidade da espiritualidade, na Igreja Católica. Porém, ao longo da historia da Igreja, surgiu também a distinção entre a vida mística, para alguns santos, e a vida cristã ordinária, para o povo de Deus.
Já na era contemporânea, no Concilio Vaticano II, com a chamada universal à santidade cristã (cf. Lumem Gentiun, cap. V, n.39-42), a distinção entre um caminho ordinário e outro místico (extraordinário) foi anulado. Tomas Merton, entre outros  espiritualistas, insistia muito sobre o “caminho contínuo” que todo cristão é  chamado a seguir, na vida espiritual. Ele dizia que “para alcançar uma verdadeira consciência de Deus e de nós mesmos, devemos renunciar ao nosso ser egoísta e limitado e entrar em uma espécie de existência totalmente nova, descobrindo um centro interior de motivação e de amor que nos permita de ver a nós mesmos e todas as coisas em uma luz totalmente nova. Chamá-la fé, chamá-la – em uma fase mais avançada – iluminação contemplativa, chamá-la sentido de Deus ou também união mística, tudo isso são aspectos e níveis diferentes da mesma espécie de realização: o despertar de uma nova consciência de nós mesmos em Cristo, criados n’Ele, redimidos por Ele, para sermos transformados e glorificados em e n’Ele”.[4] Em São Paulo, podemos encontrar esta mística que se expressa em uma nova consciência ou visão teológica ( cf. Ef. 1,3-14; Col. 1,1-20).
Em uma de suas orações, o cardeal J. H. Newman expressa aquilo que podemos considerar os frutos da fé e da vida mísitca: “Eu creio e sei que todas as coisas vivem em Ti. Tudo quanto existe no criado de ser, vida, perfeição, alegria, felicidade, é na sua substância, simplesmente e absolutamente teu. É imergindo-se no oceano da tua infinita perfeição que todos os seres portam quanto têm de bom. Tudo o que é maravilhoso quanto a talento ou gênio não é mais que um pálido reflexo do mais frágil raio da Mente Eterna. Tudo o que nós conseguimos fazer de bem não é devido somente à Tua ajuda, mas também à imitação daquela santidade que em Ti encontra a sua plenitude. Virá, meu Deus, o dia em que poderei ver-Te? Poderei ver a fonte daquela graça que me ilumina, me reforça e me consola? E, como tive origem de Ti, como sou criado de Ti, como vivo em Ti, possa eu enfim retornar a Ti, e permanecer contigo nos séculos dos séculos”[5]. Nesta perspectiva, pode-se afirmar que a fé e a mística caminham juntas; elas são nossas companheiras de viagem rumo à plenitude da vida, em Deus. Assim, podemos concluir dizendo que a fé fortalece a vida mística e vice-versa visto que através delas o cristão entra num processo de crescimento humano e espiritual integral (hic et nunc), guiado pelo Espírito Santo, que o conduz à união com a vida trinitária, já neste mundo, e o encaminha para plenitude do reino dos céus.

Padre Anisberto Bonfim, smbn


[1] Cf. FATULA M. A. Fede, in Nuovo Dizionario di Spiritualità, Libreria Editrice Vaticana, Cità del Vaticano 2003, 298-309.
[2] Cf. J. A. Wiseman, Mistica, idem, p.450-460.
[3] Cf. S. de Fiores, “La spiritualità come esperienza di Dio”, in Nuovo Dizionario di Spiritualità, Ed. Paoline, Roma 1999,1528
[4]  Cf. T. Merton, Contemplation in a World of action, Garden City [N.Y.] 1973, p.175-176).
[5] B. V. FERRER, Livro de oração de Newman, 1990,13.